quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Uma greve por amor


         
      Ontem, dia 8 de outubro, sentei-me em uma mesa para conversar com algumas professoras de uma escola elitizada. Algumas estão pretendendo entrar no serviço público e já fazem seus ensaios frente aos desafios que vão enfrentar. Ao conversarmos sobre o assunto da atual greve dos professores em Goiânia, surpreendi-me quando elas disseram que o professor só preocupa com salário e que, praticamente todo ano, estão de greve. Será assim que a sociedade vê o professor? Só preocupamos com o nosso salário? Quando temos benefícios cortados é que entramos de greve? Perdemos o foco original: dar aulas por amor?
         Entorpecida por uma fúria, um tanto repulsiva, não quis conversar por muito tempo, pois é de se notar que a sociedade não está do lado do professor; inclusive os próprios professores. O pensamento cristalizado da sociedade em antecipar a imagem do professor da escola pública como sendo um “anarquista” e um “descompromissado” em ministrar aulas cristaliza uma imagem que não é real, e que acabam marcando a categoria.
         Não é de se admirar que a pior coisa para um governo, para os pais, para os alunos e para o próprio PROFESSOR é a greve. Mas por causa de governos ruins, e que a provoca, o professor, com uma luta ilegítima do ponto de vista da sociedade, fica sem opção para enunciar suas necessidades.
      Talvez, para a sociedade com uma visão elitista, assim como as professoras da roda de conversa expressaram, um salário indigno é de fome não basta para minimizar a figura do professor, é necessário chamá-los de descompromissados e ilegais. Ora, parece que a ideia de tratar o professor como tratar alguém que está fora da lei, isto é, um bandido, se tornou  natural. Estou começando a acreditar que há uma mágoa da sociedade contra os professores...ou melhor, há uma mágoa da sociedade contra os professores da escola pública. Acontece é que o sucesso da escola pública é o carro chefe da educação no país, pois a escola particular é minoria. A educação pública movimenta mais a cultura em nosso país, e desse modo o país avança.
         A sociedade não pode ficar contra o professor, não pode fechar os olhos para a educação, não pode legalizar um discurso elitista-burguês predominante e esquecer a figura magistral que ocupa as salas de aula da nossa cidade. Parece-me que ainda perdura a antiga ideologia, instaurada nos anos oitenta de que o “professor tem o dom de trabalhar por amor”, e de um tempo pra cá, oferecer um salário e condições de trabalho dignas ao professor tornou-se um crime. A falsa ideologia pode até continuar, só não pode compor os documentos das políticas educacionais. Eis aí a nossa luta!

Um comentário :

  1. Perfeita reflexão.
    Infelismente, os próprios professores não se dão valor.
    Lógico que precisamos ser felizes com o que fazemos, porém ninguém paga água, luz, supermercado com amor. Precisamos sim lutar pela valorização do profissional da educação, com ética, respeito e acima de tudo acreditar que a luta precisa ser de todos e não da minoria.

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