Ontem, dia 8 de outubro, sentei-me em uma mesa para
conversar com algumas professoras de uma escola elitizada. Algumas estão
pretendendo entrar no serviço público e já fazem seus ensaios frente aos
desafios que vão enfrentar. Ao conversarmos sobre o assunto da atual greve dos
professores em Goiânia, surpreendi-me quando elas disseram que o professor só
preocupa com salário e que, praticamente todo ano, estão de greve. Será assim
que a sociedade vê o professor? Só preocupamos com o nosso salário? Quando
temos benefícios cortados é que entramos de greve? Perdemos o foco original: dar aulas
por amor?
Entorpecida por uma fúria, um tanto repulsiva, não quis
conversar por muito tempo, pois é de se notar que a sociedade não está do lado
do professor; inclusive os próprios professores. O pensamento cristalizado da
sociedade em antecipar a imagem do professor da escola pública como sendo um “anarquista”
e um “descompromissado” em ministrar aulas cristaliza uma imagem que não é
real, e que acabam marcando a categoria.
Não é de se admirar que a pior coisa para um governo, para
os pais, para os alunos e para o próprio PROFESSOR é a greve. Mas por causa de
governos ruins, e que a provoca, o professor, com uma luta ilegítima do ponto
de vista da sociedade, fica sem opção para enunciar suas necessidades.
Talvez, para a sociedade com uma visão elitista, assim como
as professoras da roda de conversa expressaram, um salário indigno é de fome não
basta para minimizar a figura do professor, é necessário chamá-los de
descompromissados e ilegais. Ora, parece que a ideia de tratar o professor como
tratar alguém que está fora da lei, isto é, um bandido, se tornou natural. Estou começando a acreditar que há uma
mágoa da sociedade contra os professores...ou melhor, há uma mágoa da sociedade
contra os professores da escola pública. Acontece é que o sucesso da escola pública é o carro chefe
da educação no país, pois a escola particular é minoria. A educação pública
movimenta mais a cultura em nosso país, e desse modo o país avança.
A sociedade não pode ficar contra o professor, não pode
fechar os olhos para a educação, não pode legalizar um discurso elitista-burguês
predominante e esquecer a figura magistral que ocupa as salas de aula da nossa
cidade. Parece-me que ainda perdura a antiga ideologia, instaurada nos anos
oitenta de que o “professor tem o dom de trabalhar por amor”, e de um tempo pra
cá, oferecer um salário e condições de trabalho dignas ao professor tornou-se
um crime. A falsa ideologia pode até continuar, só não pode compor os
documentos das políticas educacionais. Eis aí a nossa luta!

Perfeita reflexão.
ResponderExcluirInfelismente, os próprios professores não se dão valor.
Lógico que precisamos ser felizes com o que fazemos, porém ninguém paga água, luz, supermercado com amor. Precisamos sim lutar pela valorização do profissional da educação, com ética, respeito e acima de tudo acreditar que a luta precisa ser de todos e não da minoria.