domingo, 27 de outubro de 2013

Quem quer ser um professor?



Na atualidade o índice de candidatos ao vestibular de cursos de licenciatura só vêm diminuindo no decorrer dos anos. Segundo pesquisa recente na USP, apenas 2% dos candidatos ao vestibular querem ser professores, isto é, fazerem cursos de licenciatura. Isso me faz lembrar do filme indiano de  Quem quer ser um milionário?, não por causa da ascensão milionária que o personagem principal passa, quem dera se o professor com seu conhecimento tivesse a possibilidade de adquiri-la, mas por causa do enredo de dificuldades que a trama evidencia. O personagem principal, Jamal, responde às perguntas feitas em um programa de reality show elaboradas por mestres e doutores em que ele sai vitorioso. Jamal, não teve instrução formal de qualidade, seu saber é o da experiência da vida, realizado em contato com uma dura realidade de pobreza e marginalização. Mas, afinal, o que tem haver a história de Jamal com os professores da atualidade?
Poucos conseguirão chegar até o fim. Assim como Jamal conseguiu vencer os obstáculos do programa extraindo conhecimentos de sua vida, o professor passa  por essa mesma situação. O saber do professor deve ser construído pela prática, e na atualidade tem sido só por ela. Parece que as universidades quando formam este professor, se distanciam das “verdadeiras” condições de trabalho ao qual o professor vai passar. A empiria e teoria, em algum momento, se divorciaram, constituindo, assim, um hiato entre o ensinado e o executado. Os professores estão mal pagos e são mal preparados em meio a um oceano de exigências. Será que a dura realidade o qual o professor passa, e pela qual ele tece os seus saberes, é que desmotiva os ingressados e os ingressantes na carreira do magistério?
Não há prestígio em ser professor. O salário da profissão é ruim, se comparado a outros de nível superior, e as condições de trabalho piores ainda. Com uma sociedade que ainda acredita que o verdadeiro professor é aquele que “trabalha por amor”, ideologia impregnada desde a década de 80, e que a escola não precisa ter condições de funcionamento adequado, o professor é desestimulado a realizar um trabalho se ser visto como um profissional, e não como um filantrópico.

Os professores estão desacreditados. Segundo o anunciamento do MEC, em 2014 os professores receberiam em 19% de aumento sobre o piso salarial de R$ 1.560 para estabelecer um pacto de atraso de reajustes do salário de anos anteriores. Iniciativas como essas são raras em nosso país, mas não é de se admirar que quase todos os governadores do país estão regendo documentos para mostrar a “inviabilidade” desde aumento as prefeituras. De fato, quando há pequenas iniciativas para recuperar parte do evidente atraso no salário do professor, os governantes revidam em peso contra a classe de professores. Por enquanto, não tivemos a oportunidade de ascensão que Jamal teve no filme, ainda estamos sendo ensinados com a dureza da vida, ou melhor, com a dureza da profissão. Aspiramos um dia que os nossos saberem venham a ser reconhecidos e premiados, digo no sentido monetário, construindo o prestígio que a profissão de ser professor merece assim como acontece na história. Oxalá! 

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