Na atualidade
o índice de candidatos ao vestibular de cursos de licenciatura só vêm
diminuindo no decorrer dos anos. Segundo pesquisa recente na USP, apenas 2% dos
candidatos ao vestibular querem ser professores, isto é, fazerem cursos de
licenciatura. Isso me faz lembrar do filme indiano de Quem
quer ser um milionário?, não por causa da ascensão milionária que o
personagem principal passa, quem dera se o professor com seu conhecimento
tivesse a possibilidade de adquiri-la, mas por causa do enredo de dificuldades
que a trama evidencia. O personagem principal, Jamal, responde às perguntas
feitas em um programa de reality show elaboradas por mestres e doutores em que
ele sai vitorioso. Jamal, não teve instrução formal de qualidade, seu saber é o
da experiência da vida, realizado em contato com uma dura realidade de pobreza
e marginalização. Mas, afinal, o que tem haver a história de Jamal com os
professores da atualidade?
Poucos conseguirão
chegar até o fim. Assim como Jamal conseguiu vencer os obstáculos do programa
extraindo conhecimentos de sua vida, o professor passa por essa mesma situação. O saber do professor
deve ser construído pela prática, e na atualidade tem sido só por ela. Parece que
as universidades quando formam este professor, se distanciam das “verdadeiras”
condições de trabalho ao qual o professor vai passar. A empiria e teoria, em
algum momento, se divorciaram, constituindo, assim, um hiato entre o ensinado e
o executado. Os professores estão mal pagos e são mal preparados em meio a um
oceano de exigências. Será que a dura realidade o qual o professor passa, e
pela qual ele tece os seus saberes, é que desmotiva os ingressados e os
ingressantes na carreira do magistério?
Não há prestígio
em ser professor. O salário da profissão é ruim, se comparado a outros de nível
superior, e as condições de trabalho piores ainda. Com uma sociedade que ainda
acredita que o verdadeiro professor é aquele que “trabalha por amor”, ideologia
impregnada desde a década de 80, e que a escola não precisa ter condições de
funcionamento adequado, o professor é desestimulado a realizar um trabalho se
ser visto como um profissional, e não como um filantrópico.
Os professores
estão desacreditados. Segundo o anunciamento do MEC, em 2014 os professores
receberiam em 19% de aumento sobre o piso salarial de R$ 1.560 para estabelecer
um pacto de atraso de reajustes do salário de anos anteriores. Iniciativas como
essas são raras em nosso país, mas não é de se admirar que quase todos os
governadores do país estão regendo documentos para mostrar a “inviabilidade”
desde aumento as prefeituras. De fato, quando há pequenas iniciativas para
recuperar parte do evidente atraso no salário do professor, os governantes
revidam em peso contra a classe de professores. Por enquanto, não tivemos a
oportunidade de ascensão que Jamal teve no filme, ainda estamos sendo ensinados
com a dureza da vida, ou melhor, com a dureza da profissão. Aspiramos um dia
que os nossos saberem venham a ser reconhecidos e premiados, digo no sentido
monetário, construindo o prestígio que a profissão de ser professor merece
assim como acontece na história. Oxalá!

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